RESGATE E TRANSPLANTE DE FLORA AJUDA NA RECUPERAÇÃO DO ECOSSISTEMA DA BR-101


Obras de infraestrutura, tais como a que está sendo realizada na BR-101 PE/AL/SE/BA trazem inúmeros benefícios para a população em seu entorno. Contudo, para realização das adequações, são necessários trabalhos de modificações do relevo, remoção da cobertura vegetal e mesmo alterações visuais em sítios paisagísticos relevantes.


Para mitigar o impacto dessas ações, o DNIT, juntamente com a Gestora Ambiental, realiza diversos programas ambientais que acompanham de perto toda a execução de engenharia, para que haja a proteção da paisagem e respeito às características e cultura da região, durante às obras. A atividade do programa de Resgate da Flora é exemplo de ação que beneficia o meio ambiente durante as atividades construtivas.


O processo

Antes da supressão da vegetação para a execução das obras, equipes da Gestora Ambiental realizam vistorias exploratórias para identificar espécies protegidas por leis, epífitas, sementes e mudas que podem ser utilizadas na recuperação da paisagem.


Preliminarmente, é realizado contato com as instituições para as quais são designadas as sementes coletadas, dando prioridade para aquelas que possuem viveiros de mudas nativas, possibilitando que essas mudas sejam utilizadas posteriormente em atividades de recuperação de áreas degradadas da rodovia.


Bromélias e orquídeas

Muito comuns na região Nordeste, as bromélias e orquídeas são plantas epífitas. Um tipo de vegetal que não cria raiz no solo, e sim, fixam-se em outras árvores, troncos e galhos, buscando luz solar e umidade com mais facilidade. Ao contrário do que muitos pensam, as epífitas não trazem prejuízo ao seu hospedeiro e apresentam importante função ecológica, pois fornecem alimentos, água e nutrientes na mata.


Por serem extremamente sensíveis às alterações ambientais, as epífitas anteriormente fixadas em árvores suprimidas são transplantadas cuidadosamente pela Gestora Ambiental para locais de matas preservadas. Os locais de transplante são sempre próximos ao original, respeitando a mesma fitofisionomia (característica). Após o resgate elas são monitoradas por dois anos, visando avaliar a adaptação ao novo local.


Desde o início das obras de readequação da BR-101, até o momento, o DNIT, por meio da Gestora Ambiental resgatou 841 exemplares de flora epífita nos trechos onde ocorrem atividades de supressão. Este total é representado por 10 gêneros e quatro famílias da flora (Araceae, Bromeliaceae, Cactaceae e Orchidaceae).


Recentemente, as bromélias resgatadas entre os anos de 2019 e 2020, e relocadas para fragmentos florestais no município de Pilar, em Alagoas, foram monitoradas pela Gestora Ambiental e de acordo com a bióloga Cynthia Diniz, os indivíduos possuíam boas condições fitossanitárias, embora apresentassem sinais de ataque de pragas. Destaca-se a presença de floração em indivíduos de orquídeas Rodriguezia venusta (véu-de-noiva), indicando ótima adaptação ao local, com relação à luminosidade, umidade e resistência a doenças e pragas.




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