DNIT realiza ações de preservação da fauna na BR-101 PE/AL/SE/BA



O Brasil possui umas das maiores biodiversidades do mundo. De acordo com os últimos dados publicados pelo Catálogo Taxonômico da Fauna do Brasil (CTFB), há em território brasileiro 119.337 espécies de animais, sendo em sua maioria artrópodes (cerca de 85%, quase 94.000 espécies) e vertebrados (cerca de 10%).


O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), por meio da Gestão Ambiental, desenvolve programas que visam à prevenção e mitigação dos impactos à fauna ocasionados pela duplicação da BR-101 PE/AL/SE/BA, a saber: o Programa de Monitoramento da Fauna, o Programa de Levantamento, Monitoramento e Mitigação dos Atropelamentos de Fauna, o Subprograma de Passagens de Fauna e o Subprograma Afugentamento e Resgate Brando de Fauna.


PROGRAMA DE MONITORAMENTO DA FAUNA

Para mudar a pegada ecológica das obras de duplicação da BR-101 PE/AL/SE/BA, áreas amostrais são monitoradas antes, durante e após as atividades construtivas para avaliar os impactos da rodovia sobre a fauna local, e com isso propor e executar medidas de proteção às espécies e seus habitats.


Durante as campanhas, biólogos especialistas em peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos monitoram áreas preservadas e rios transpostos pela rodovia para identificar os animais que ali residem. Informações sobre os hábitos da fauna local são obtidos através de armadilhas fotográficas, marcação de indivíduos, transecções e pontos de escuta que informam sobre o comportamento da fauna em relação à rodovia.


Até o momento, foram registradas 63 espécies de peixes, 69 de anfíbios, 52 de répteis, 42 espécies de mamíferos e 260 espécies de aves, destacando-se três espécies que só ocorrem na Mata Atlântica.


A cada campanha realizada, novas espécies são registradas. A composição das espécies reflete o alto grau de alteração dos ecossistemas naturais da região, que sofre com a substituição de áreas naturais por cultivos, com a caça e também com os atropelamentos da fauna na rodovia. Para estes, são instalados passadouros que permitem a travessia segura da rodovia. As margens de rios sob as pontes são recuperadas mantendo corredores ecológicos para o trânsito da fauna e ações de educação ambiental para trabalhadores das obras, comunidades lindeiras e usuários da rodovia orientam e conscientizam quanto à importância dos ambientes florestados e da fauna que ali reside.


“É dessa forma que o DNIT planeja e constrói, fazendo sua parte na conservação da biodiversidade”, ressalta Simone Oliveira, Coordenadora Geral da Gestão Ambiental da BR-101 PE/AL/SE/BA.


PROGRAMA DE LEVANTAMENTO, MONITORAMENTO E MITIGAÇÃO DOS ATROPELAMENTOS DE FAUNA


O DNIT, por meio da Gestão Ambiental, realiza campanhas de monitoramento de animais silvestres atropelados ao longo dos 650 quilômetros relacionados ao empreendimento de duplicação da BR-101/NE, nos estados de Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia.


A ação, que tem o objetivo de monitorar os atropelamentos de exemplares da fauna silvestre na região, visou ainda propor medidas para reduzir esses índices e atenuar os efeitos danosos à biodiversidade na região, sendo realizada por meio do Programa de Levantamento, Monitoramento e Mitigação dos Atropelamentos de Fauna.


Até o presente momento foram realizadas 110 campanhas, sendo a última realizada entre os dias 10 e 13 de agosto/2020. Segundo o biólogo Bruno Stefanis, responsável técnico pela atividade, durante o último monitoramento ao todo foram registrados 42 animais atropelados de 16 espécies diferentes, dentre eles, 10 Cachorro-do-mato (Cerdocyon thous) 9 urubu-de-cabeça-preta (Coragyps atratus) 4 gambá-de-orelha-branca (Didelphis albiventris).


SUBPROGRAMA AFUGENTAMENTO E RESGATE BRANDO DE FAUNA


O constante monitoramento da faixa domínio é apenas uma das ações realizadas pelo DNIT com o intuito de mitigar e reduzir possíveis impactos à fauna devido às intervenções necessárias para a duplicação da BR-101. No trecho da BR-101 que liga Palmares/PE ao Entroncamento com a Rodovia BR-324/BA, totalizando 649,30 quilômetros, são realizadas atividades que permitem dimensionar os impactos causados pela duplicação da rodovia sobre a fauna presente na região, avaliar se a duplicação está afetando ainda mais (uma vez que a rodovia já é estabelecida e já produz este impacto) a conectividade dos hábitats da região, acompanhar e minimizar os impactos causados pela supressão da vegetação sobre a fauna, verificar os animais atropelados na rodovia, bem como monitorar e avaliar a efetividade das passagens de fauna a serem implantadas na rodovia.


Os animais resgatados com vida e sadios são relocados para fragmentos de vegetação próximos ao local. “Durante as vistorias realizadas, diariamente, no trecho de obras, os técnicos da Gestão Ambiental observam atentamente às margens da rodovia, principalmente próximo a fragmentos florestais ou pontes, na busca por animais silvestres que possam aparecer durante as atividades de duplicação da BR-101. Tendo em vista que os animais são afugentados naturalmente pela movimentação das obras, são poucos os registros de resgate e afugentamento de fauna”, afirma a bióloga Cynthia Diniz.


Além do monitoramento da faixa de domínio, a equipe do DNIT/PAMIFF realiza o afugentamento de animais silvestres que apareçam em áreas onde ocorrerão atividades de supressão vegetal, direcionando-os para áreas livres dos serviços de corte de indivíduos arbóreos, bem como o resgate dos animais silvestres debilitados ou feridos que apareçam em frentes de serviço, os quais recebem os cuidados veterinários necessários para a sua recuperação. Conforme Cynthia, também são realizadas campanhas educativas junto aos colaboradores das obras, população lindeira e usuários da rodovia, no intuito de orientá-los acerca dos procedimentos a serem adotados caso encontrem algum animal sadio ou ferido necessitando resgate.


PASSAGEM DE FAUNA


As passagens de fauna conectam os dois lados da rodovia e representa uma alternativa segura para o trânsito dos animais silvestres entre os habitats naturais que circundam a estrada, sem precisarem estabelecer contato direto com a pista. Para a duplicação da BR-101 PE/AL/SE/BA, o DNIT e o IBAMA definiram, a partir de informações obtidas sobre os locais com maior ocorrência de atropelamentos de fauna e de áreas com melhores condições de conservação da vegetação no entorno da rodovia, 14 passagens de fauna subterrâneas e duas passagens de fauna aéreas - estas últimas para atender os animais que habitam as copas das árvores.


Além das passagens subterrâneas e aéreas, o DNIT busca também assegurar em seus projetos que “corredores” sejam mantidos para que o percurso da fauna não seja interrompido pelas obras de duplicação, por meio das chamadas “Passagens Secas Sob as Pontes”. Atualmente, são 13 pontes com funcionalidade de corredor para os animais, cinco passagens subterrâneas e duas passagens aéreas finalizadas. Tanto as passagens quanto os corredores sob as pontes são monitorados pelo DNIT por meio da Gestão Ambiental.


Visando averiguar a utilização da travessia pela fauna local e identificar quais espécies utilizam os dispositivos, o monitoramento é realizado a partir de observação do local (avistamento), busca por vestígios que evidenciem a presença dos animais – pegadas, restos de alimento, pelos, fezes, entre outras -, armadilhas fotográficas e pegadas. Até o presente momento, ao longo das 37 campanhas realizadas nas passagens instaladas, foram obtidos 892 registros de 20 diferentes espécies utilizando as passagens mistas (associadas a pontes) e 226 registros de também 20 espécies cruzando as passagens subterrâneas.


A instalação das passagens de fauna aéreas no estado de Alagoas foi concluída no mês de junho/2020, trabalhadores das obras visualizaram espécimes de Callithrix jacchus (sagui-de-tufos-brancos) utilizando as passagens aéreas para cruzar a rodovia BR-101/NE, como também, durante a vistoria avistaram-se três espécimes de preguiça-comum (Brady pua variegatus ) repousando e alimentando-se em árvores a pouca distância das passagens. Esses resultados comprovam a eficiência dessas estruturas como mecanismos de transposição segura da rodovia pela fauna.


Imagens: por Cassiano Roman (mastozoólogo)




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